Família

Um certo dia eu conheci, depois de “velho”, um primo meu da minha idade (também músico) e com o gosto musical muito parecido com o meu. Era um verão em Búzios. Ele veio até onde eu estava na areia e disse: “Muito prazer, eu sou o seu primo Alexandre, e você deve ser o meu tão falado primo Edmundo”.

15 minutos depois de falarmos sem parar de todas as nossas coincidências e afinidades, estávamos os dois, sentados na varanda da casa tocando violão como se fossemos parceiros a anos! Nunca vou me esquecer deste dia. Como que eu nunca tinha cruzado com esse primo antes? Que tempo perdido!

De lá pra cá, estamos sempre juntos, meu filho tem o mesmo nome dele e, é claro, meu primo é padrinho do pequeno.

Xande e Dindo Xande

Xande e Dindo Xande

Sempre que sentamos para tocar, quem está perto se impressiona. Não pelos virtuosismos e escolha de repertório, mas pela mágica que sai desse encontro. Como entender as melodias que nunca foram combinadas e que se encaixam como em um ensaio meticuloso? Os improvisos totalmente encaixados como se fossem escritos para aquela música, as modulações sem aviso e prontamente sub-entendidas e seguidas, as dinâmicas decididas e executadas exatamente como imaginávamos…

Esse é meu primo Alexandre Castilho. Roubando uma de suas mais conhecidas expressões: GÊNIO! Sou um privilegiado de ter ele como primo, família e AMIGO. Desde que nos encontramos na tal vez da praia (e isso já fazem quase 20 anos?), NUNCA nos desentendemos por motivo que fosse e nunca deixamos de fazer festa quando nos encontramos. Fica aqui minha eterna homenagem ao Xande, gênio!

Isso “dito”, eu tomo a liberdade de compartilhar um dos vários momentos que tivemos (mas poucos gravados): Uma vez no Rio, eu pedi para ir no estúdio dele gravar um arranjo que tinha feito de “Trocando em Miúdos”, do Chico Buarque, para violão solo. Ele operando a mesa e eu, no “aquário”, tocando. Ficou razoável (minha auto-crítica é bem severa!), ele deu várias dicas de dinâmica, posição do microfone, etc.. e saiu. Beleza.

Depois do trabalho feito, eu ainda dentro do aquário e ele lá fora na mesa, ele resolveu pegar a sua guitarra (nem vou comentar ele tocando… ) e ficar brincando nas escalas enquanto conversávamos pelo sistema de som. Num dado momento, pedi para ele deixar gravando que queria testar a sonoridade do meu violão (que estava ótima, sem nenhum efeito ficou ótimo mesmo)… Comecei a tocar acordes soltos e me lembrei, por um acorde que fiz, de Águas de Março (Tom Jobim).. Comecei a ordenar os acordes e o Xande sacou na hora qual era a harmonia. Ele de fora, com a guitarra, começou a me acompanhar e – como sempre acontece com a gente – quando vimos estávamos tocando nossa versão, de improviso, do tema!

O que foi gravado foi em uma única tomada, sem cortes ou emendas. Totalmente sem pretensão e compromisso com nada, exceto nossa diversão.

Espero que gostem:

Águas de Março – por Edd e Xande

p.s.: Depois eu falo da minha prima Renata Gebara, cantora e multi-midias!!

Desafinado, por Gilberto Gil e STEVIE WONDER!

O que dizer deste encontro? Confesso que não fazia idéia de que isso tinha rolado. Juro. Mas confesso também que fiquei sem palavras quando vi e só me recordo de ficar o tempo todo de boca aberta e lágrimas nos olhos. Pode parecer demais? Até pode. Mas que ver o Stevie Wonder VIAJANDO na nossa música, composição do mestre/maestro Tom Jobim… isso é um prazer absurdo!!

Como diria meu primo e referência musical, Alexandre Castilho: GÊNIO!!

Sem mais para o momento… curtam!

Maria Rita – Num Corpo Só – Youtube

Sabe quando você vai ver um vídeo no youtube de uma música que você gosta, com uma intérprete que você gosta e pensa que vai ser legal? Pois é….

Tenho o privilégio de “acompanhar” a Maria Rita no twitter. Até aí, todo mundo pode. Hoje ela mandou uma mensagem sobre um vídeo dela que está bombando no youtube (primeira página, pelo menos até onde eu vi….), cantando “Num Corpo Só”, de Arlindo Cruz e Picolé, que é excelente (levada, letra, etc….).

Fui ver…

Realmente, para mim, foi uma experiência absurda. Explico (pelo menos vou tentar..): é inegável notar desde o primeiro instante o REAL prazer que ela tem em estar ali cantando este samba (ok, nem todo dia estamos 100% a fim de fazer algo, muitas vezes são compromissos assumidos e tal). Como isso é claro! Como ela passa prazer em estar ali cantando! É muito bom de ver (vi e revi várias vezes!)

Fica claro também a preocupação, pelas expressões faciais, que ela tem em colocar bem a voz, em se fazer soar perfeita. A preocupação com a qualidade. Absurdo. A cada compasso, a cada nota, você vê uma Maria Rita entregue, se divertindo, doida pra levantar da cadeira e sambar! Sem descuidar, por nenhum momento, da qualidade vocal, da preocupação com a interpretação.

A cada novo trabalho me surpreendo mais com ela. Já gostei do primeiro CD. Sempre disse que ela tinha uma coisa diferente, um prazer, um carinho em cantar que vejo em poucos. Fica visível, em qualquer interpretação dela, a entrega ao momento, à música. Dá vontade de ficar quieto, olhando, curtindo, rindo. Ela faz a gente mais feliz.

Não poderia deixar de comentar também do Quinteto em Branco e Preto: o que seria de uma cantora sem um bom acompanhamento? Competentes, suficientes, exatos. O que tinha de ser.

Parabéns Maria Rita. Você é a personificação da música, ou pelo menos do que eu materializaria caso me pedissem para definir com uma imagem O QUE É MÚSICA. Você me faz uma pessoa mais feliz. Obrigado.

Origem dos Grupos de Pagode – T.O.S.

Não resisti em “repostar” um texto que li no Blog do Neo, o excelente T.O.S (Todos Os Sentidos). Parabéns Neo:

Olá pessoas!

O Todos os Sentidos – T.O.S, cumprindo seu papel de veículo formador de opinião coloca no ar a série cultural inútil iniciada com este singelo post. O T.O.S informa que não faz nenhum tipo de acepção a pessoas, estilos, ritmos, manias, grupos, bandas, times, bordões e qualquer comportamento que tenha ligação direta com o texto a seguir ou qualquer outro da série “cultura inútil” que possa ser publicado aqui, mas como o texto era muito engraçado interessante, resolvemos publicá-lo.

A origem do pagode mela cueca, ou pagode meloso, ou pagode gosmento, ou ainda o pagode maria-mole é um tanto quanto desconhecida. DIZ A LENDA que dois camaradas que foram expulsos de um grupo de samba, porque choravam demais, não tinham resistência à bebida e não sabiam tocar cavaquinho, decidiram se juntar e formar um novo grupo…

– Mas não podiam ser uma dupla, porque isso é coisa de sertanejo.

– Não podiam ser um trio, porque isso é coisa de KLB e de dançarinos do É o Tchan.

– Não podiam ficar em quatro porque isso é MPB, tipo MPB 4 & Quarteto em Si.

– Não podiam ser cinco porque isso é coisa de Menudos, Bro’z, Polegar e Dominó.

Então ficou estabelecido que para montar um grupo de pagode é preciso pelo menos 6 pessoas. Além disso existem outros requisitos, que listaremos a seguir:

– Eles devem vir do mesmo bairro e terem mais ou menos a mesma idade.

– Um tem que ter cara de velho safado (podem perceber, sempre tem um).

– Um tem que ser baixinho e terá um nome que termine com “inho”, como Paulinho, Huguinho, Zezinho ou Luisinho.

– Eles devem usar a mesma roupa quando se apresentam, mesmo que ela tenha três (ou mais) cores e lantejoulas.

O esquema de apresentação na TV é o seguinte:

– Um fica na frente, dublando e abraçando as fãs (aquelas meninas que gritam sem parar).

– Um batuca um pandeiro, e outro dubla um cavaquinho.

– O resto se movimenta para os lados e balançam a cabeça em passos sincronizados. Toda vez que na letra da música aparecer a palavra: “você”, é necessário apontar com o dedo indicador e sorrir (tipo sorriso dengoso) para as fãs, ou para o telespectador. Feito.

IMPORTANTE:

Notem que seis é apenas o mínimo necessário, você pode colocar quantos amigos e parentes quiser no grupo.

Muito bom!!

MPB, o que você escuta?

Começando um estudo sobre Música e Meio….

Em uma conversa de bar (onde as melhores conversas acontecem), eu estava comentando sobre a diferença cultural do brasileiro, da nossa enorme variedade e riqueza de estilos, formas musicais, etc…

Baseado nisso, gostaria de saber de vocês, 3 coisas básicas para que possa desenhar o nosso perfil musical diante da MPB:

1 – de onde você é, onde mora? (cidade, estado)

2 – o que costuma ouvir? (de MPB, é claro!)

3 – o que te levou a ouvir essas músicas? (pura vontade mesmo, influência de pais, pancada na cabeça, trauma de infância – qualquer coisa!)

Não se preocupem em escrever muito. Sejam objetivos (mas também fiquem livres para escrever o que vier na telha).

Escrevam no espaço de comentários deste post.

Podem deixar que eu começo!