Marcelo de Alvarenga – Pianista Brasileiro

Marcelo de Alvarenga

Marcelo de Alvarenga

Continuando o meu “dever cívico”, apresento a vocês um dos grandes pianistas eruditos (ok, ele também sabe ser bem popular… ) do Brasil na atualidade: Marcelo de Alvarenga.

Marcelo é carioca (eu presumo, pois na sua biografia oficial não constam estes dados) e, como a maioria dos músicos de destaque no cenário erudito, começou muito cedo a estudar piano. Dentre seus professores, cito alguns: Maria Alice Frantz e Altair Celina Gomes, prosseguindo com Esther Naiberger, Maria Teresa Soares, Nise Obino e Luiz Medalha.

Venceu sete dos nove concursos nacionais de piano dos quais participou, destacando-se os concursos “Nacional Lorenzo Fernandez”, “Nacional de piano Villa-Lobos/Lorenzo Fernandez” e “Movimento Artístico Lúcia Branco (MALB)”. Recebeu também o prêmio de melhor intérprete da obra de Villa-Lobos, oferecido por sua esposa Arminda Villa-lobos e pelo Museu Villa-Lobos.

Ou seja, o homem é BOM. 🙂

Marcelo, como pessoa, é uma das pessoas mais generosas que conheço. Com toda a bagagem “profissional” que tem, ele tem total humildade de tocar qualquer coisa que você bote na frente dele, sem dar desculpas ou empinar o nariz. Se o assunto é música, você vê na hora a paixão de Marcelo transparecer. Fala com gosto de praticamente todos os gêneros musicais pois, praticamente, já tocou de tudo. Nunca teve medo de experimentar coisas novas, adora desafios. Prova disso é seu extenso repertório que vai desde os ultra-tradicionais compositores eruditos (Scarlatti, Bach, Haydn, Mozart, etc…) até os mais populares. Exemplo desta diversidade: quando conheci o Marcelo, ele tocava em um MUSICAL, mais precisamente estava em cartaz tocando “Porgy & Bess”, de Gershwin.

Agora o que mais interessa a este blog: sua ligação com a música brasileira. O repertório brasileiro de Marcelo é fantástico. Alguns dos compositores que constam no seu repertório: Villa Lobos, Edino Krieger, C. Guarnieri, Santoro, Ernesto Nazareth, entre outros. Sua diversidade impressiona: vai desde os compositores ao repertório, e também na execução (fez recitais solo, duos de piano, piano e violão, etc…).

Entre um recital ou espetáculo teatral, Marcelo ainda dá aulas de piano!

Fica aqui registro de um dos grandes músicos da atualidade. Não só pelo seu indiscutível talento ao piano, mas também pela pessoa que é.

Maiores informações, é só ir no site dele: www.marcelodealvarenga.com.br

Brasileirinho, o filme

DVD Brasileirinho

DVD Brasileirinho

Chegou, esta semana, a minha cópia do documentário Brasileirinho, uma referência sobre o nosso CHORO, estilo musical genuinamente brasileiro (dica do meu amigo Salgado).

Eu realmente não fazia ideia da existência deste documentário. Quando fui no site, fiquei surpreso com a quantidade de excelentes músicos que conseguiram reunir e em tão pouco tempo (nos extras do DVD, o diretor disse que filmaram tudo em 3 semanas!!). Comprei minha cópia na hora.

Assistindo ao DVD, não tem como não ficar arrepiado: os números musicais foram escolhidos a dedo. Quem tocou com quem, a locação, etc… Não consegui desgrudar até o final de tudo (porque tem mais 6 músicas nos extras que não entraram no documentário, além de entrevistas).

O diretor Mika Kaurismaki foi extremamente competente: as imagens do Rio são lindas (Lapa, Estudantina,botecos, rodas de choro) e a qualidade musical… bom, isso não dá para descrever bem com palavras. Recomendo!

Segue resenha do DVD (Rob Digital):

“Mais celebrado do que nunca nas casas de show, salas de concerto e fundos de quintal, o Choro estréia agora também nas telas de cinema. O gênero, surgido no Rio de Janeiro no final do século 19, é o homenageado do documentário musical Brasileirinho – Grandes encontros do Choro contemporâneo (cor, 90 min.), dirigido pelo finlandês Mika Kaurismäki, que conseguiu reunir nas gravações nomes consagrados como Trio Madeira Brasil (Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim), Yamandú Costa, Paulo Moura, Zé da Velha e Silvério Pontes, Marcos Suzano, Jorginho do Pandeiro, Maurício Carrilho, Guinga, Teresa Cristina e Grupo Semente, entre outros.

O DVD, que chega às lojas pelo selo ROB DIGITAL, traz músicas consagradas como Machucando, de Adalberto de Souza; Santa Morena, de Jacob do Bandolim; Brejeiro, de Ernesto Nazareth; e Papo de Anjo, de Radamés Gnattali. Destaque também para O bom filho à casa torna, de Bonfiglio de Oliveira, e Cochichando, de Pixinguinha, João de Barro e A. Ribeiro.”


Disco de Bossa Nova no “Hall da Fama” do Grammy

Capa do LP Jazz Samba

Capa do LP Jazz Samba

Mais um merecido reconhecimento da música brasileira!

O disco “Jazz Samba”, no qual os músicos Stan Getz e Charlie Byrd interpretam diversas canções da bossa nova, entrou para o Hall da Fama do Grammy.

Lançado em 1962, “Jazz Samba” tem sete músicas, das quais seis são de compositores brasileiros. São elas: “Desafinado” e “Samba de uma Nota Só”, ambas de Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça; “O Pato”, de Jayme Silva e Neuza Teixeira; “Samba Triste”, de Baden Powell e Billy Blanco; “É Luxo Só” e “Bahia”, ambas de Ary Barroso. Completa o disco, a música “Samba Dees Days”, composta por Charlie Byrd.

VITOR MORENO
colaboração para a Folha Online


Para Uma Menina Com Uma Flor – Vinicius de Moraes

Capa atual

Capa atual

Que Vinicius foi um excelente poeta e compositor, isso eu já sabia. O lado “cronista” eu não tinha ainda tanto contato até comprar a reedição do “Para Uma Menina Com Uma Flor” – coleção de crônicas reunidas pelo próprio autor, de 1941 a 1966, dentre as várias que publicou em jornais e revistas.

É interessante notar que não vemos Vinicius falar só de “amor, sorriso e uma flor”. Neste livro, vê-se muito o lado crítico, crú e direto. Uma maneira de se entender, sob a sua visão, fatos da história do Brasil ocorridos nestes 25 anos de observação.

Capa original do livro

Capa original do livro

Além das crônicas, esta edição traz também uma variedade grande de fotos, desenhos, gravuras e bilhetes (entre Vinicius e Rubem Braga, acertando detalhes da primeira publicação do livro), além de – no final – uma entrevista com o próprio Vinicius, feita por Odacir Soares. imperdível.

Seria injusto indicar uma crônica aqui. Vale o livro todo. (ok.. talvez em coloque alguma coisa depois… )

Como curiosidade (também está descrito no livro), a “menina” foi uma dedicatória a sua esposa (a atual, na época – uma de suas NOVE esposas…) Nelita.

Retrato em Branco e Preto

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

A canção de Tom Jobim, feita em 1965, chamava-se “Zíngaro” – porque Tom, vivendo nos Estados Unidos, sentia-se como um cigano -, e já havia sido gravada no LP A Certain Mr. Jobim, com a participação do arranjador alemão Claus Ogerman. Tom passou a Chico diversas músicas desse álbum, e a primeira letra que saiu foi “Retrato em branco e preto”.

Nos primórdios da parceria, estimulada por Vinicius de Moraes, Tom pouco palpitava, o que viria a acontecer com muita freqüência quando o tempo e a intimidade permitiram. Chico atribui a benevolência e a tolerância iniciais ao paternalismo do maestro, que queria dar uma forcinha ao jovem letrista. Mesmo assim houve discussões.

Quando o Quarteto em Cy estava para gravar a canção, Chico decidiu mudar a expressão “peito tão marcado” por “peito carregado”, e explicou ao parceiro que “tão” havia sido uma muleta para completar as sílabas da canção. A alteração foi aceita, mas logo depois o maestro telefonava pedindo que mantivesse a versão original, porque “peito carregado” tinha também a conotação de tosse. Chico cedeu.

Em outra ocasião Tom teria dito a Chico que ninguém fala: “retrato em branco e preto”, e que a expressão correta seria “preto e branco”. Ao que Chico teria respondido: “Então tá. Fica assim: ‘Vou colecionar mais um tamanco/outro retrato em preto e branco'”. Diante de uma tamancada tão convincente, Tom entregou os pontos.

Extraído do livro “Chico Buarque – Histórias de Canções

Chico Buarque – Histórias de Canções

livro-chico

Comprei neste sábado o livro “Chico Buarque – Histórias de Canções”, de Wagner Homem. Confesso ter perdido a noção do tempo na livraria pelo magnetismo que o livro gerou, não conseguia parar de ler.

A idéia do livro é ótima: uma coletânea de letras do Chico Buarque, só que com comentários (tanto do próprio Chico como do Wagner Homem) sobre o que o levou a escrever/compor cada uma delas. Tudo isso reunido com fotos, paralelos com a história da música brasileira (fatos de época) e muita coisa interessante.

A todos que gostam de história da música brasileira e/ou Chico Buarque, esse livro é altamente recomendado. É daqueles (muitos) que é legal ter na cabeceira para consultar de vez em quando ou quando decidimos ouvir, pela milésima vez, alguma música do Chico. Em mesmo já li, desde ontem, umas 3 vezes.

Na sequência postarei alguns trechos.