Archive for the ‘Resenhas’ Category

Minha posição em relação à música gratuita – por Leoni

Sunday, December 13th, 2009

Segue artigo, na íntegra, que copiei do blog do Leoni:

Acho que preciso esclarecer algumas coisas em relação ao que eu penso sobre música gratuita na internet:

1) Não faço parte de nenhuma das duas torcidas mais comuns. Não acho que tudo tem que ser gratuito e acabou, nem posso concordar com que se tente punir quem baixa música de graça.

2) Não acho que a gratuidade seja uma meta. Ela é um mal irreversível para os artistas em atividade, contra o qual é tão inútil lutar, como não concordar com a lei da gravidade.

3) A música tem custo e valor, ela não é feita de graça. A música grátis tem que fazer parte de uma estratégia para divulgar e vender – seja música, ingressos de shows ou merchandising.

Digo essas coisas porque sinto que preciso me posicionar para não ser colocado como exemplo de posturas que não tenho.

Faço parte do Música Para Baixar porque acredito que não haja como controlar o compartilhamento de música pela internet. E que, em diversos casos, o controle seria péssimo para a cultura. Vejam os casos de discos que estão fora de catálogo. O desinteresse de uma gravadora em lançar o repertório de determinado artista colocava-o no ostracismo irreversível. Que direito têm as gravadoras de impedirem a sociedade de ter acesso a um bem cultural? Quantas jóias ficavam trancadas nos cofres dos detentores de direitos autorais e agora circulam livremente pela rede, beneficiando artistas e público? Processar os fãs, ou impedir que eles tenham acesso ao que desejam, nunca me pareceu uma estratégia muito inteligente para se conquistar mais fãs. Outro dia – outubro de 2009! – vi um advogado da indústria do disco dizer que a forma de se controlar os downloads “ilegais” é usando de tecnologia e que o DRM é uma forma eficiente de fazê-lo. Em que mundo essa pessoa vive? Todo mundo desistindo do DRM e ele achando que é solução!

Quais a principal vantagem da gratuidade? Divulgação. A música gratuita chega muito mais facilmente às pessoas, já que elas podem conhecê-la antes de se decidir a gastar dinheiro. Se você não der, a possibilidade de que as pessoas queiram se arriscar no escuro é infinitamente menor. Se compararmos ao preço do jabá para ter execução em rádio, o compartilhamento de arquivos é uma bênção para os artistas. Os fãs fazem o trabalho que precisamos, sem cobrar, e gratos pela nossa generosidade. Daí o mote do Música Para Baixar: Fã não é pirata! É divulgador. E esse quer nos ajudar financeiramente para que continuemos a dar o que ele quer: música de qualidade.

Quando as rádios começaram a executar música as gravadoras acharam que ela seria danosa para as vendas, porque ninguém compraria algo que estava sendo entregue de graça nas casas das pessoas. E nada foi tão importante para divulgar e vender música quanto o rádio. Estamos no mesmo caso. Nada divulga e populariza tanto a música quanto o acesso gratuito à mesma.

Por outro lado, não quero o fim do direito de autor – embora ache que ele precise ser revisto -, não acho que a cultura é social e gratuita por princípio, não quero o fim das gravadoras. E quero ganhar dinheiro sem culpas esquerdistas.

Resumindo, não há negócio nem profissão que seja totalmente gratuito. Alguém tem que pagar alguma coisa em algum momento para que haja profissionais sobrevivendo daquele negócio. Mas a proibição de compartilhamento de música na rede, além de impossível, não vai ser o esteio financeiro dessa história. Quero que abracemos a gratuidade como uma das ferramentas para nos aproximarmos do nosso público e criarmos uma outra forma mais inteligente e contemporânea de ganharmos a vida fazendo música. Dialogando o @penas, música é profissão, sim. Mas muito diferente do que já foi.

Leoni Digital

Sunday, December 13th, 2009

A Maioria das pessoas que me conhecem sabem, ao menos, 3 coisas a meu respeito: sou músico, sou viciado em tecnologia (pense em algo, eu estou lá…) e um pesquisador apaixonado pela nossa MPB.

Tive uma grata surpresa quando, essa semana, resolvi tirar um tempo para me aprofundar nos meus twitts e ir verificar o trabalho do Leoni, muito além do compositor e músico já consagrado. Fui averiguar o Leoni crítico, formador de opinião, militante de causas nobres e também altamente “tecnologizado”. Fiquei surpreso. Explico.

A algum tempo acompanhando o Leoni no twitter, eu lia sobre “música líquida”, “música pra baixar”, “manual de sobrevivência no mundo digital” e outros temas que foram me deixando muito curioso para ver o que esse cara estaria aprontando… :)

Ao ler o seu blog fui ficando perplexo por reconhecer ali muito do que tenho conversado com diversos amigos músicos e tecnólogos, sobre os caminhos da música diante deste mundo de infinitas possibilidades chamado internet. Da dificuldade que se tem hoje de controle do acesso a músicas que estão disponíveis aos gigabytes pela internet, torrents, etc… Ele é extremamente didático e abrangente, tentando cercar todos os lados dos conceitos, problemas, polêmicas, vantagens, modelos de negócio e tudo mais que envolve a ideia de se ter SIM uma (ou diversas) saída sadia para se ganhar dinheiro com música e ao mesmo tempo ter seu material disponível na internet de forma oficial e livre. Fiquei mais fã ainda do cara (como músico ele dispensa apresentações, certo? Em especial pra música “Fotografia”, uma delícia!).

Prometo (já até falei com ele pelo twitter – super simpático e prestativo) que vou ajudar no que puder para que este movimento vá para frente. Leoni está pensando como MÚSICO, que vive do seu trabalho e que encontrou formas super viáveis e inteligentes de que ambos os lados (músicos e público) convivam em harmonia neste mundo digital e sejam todos felizes.

O conceito da música líquida é fantástico. Já curti a própria expressão: música líquida! Genial.

No seu “Manual de Sobrevivência no Mundo Digital” (download gratuito), Leoni explica o conceito de “música líquida” que inclusive deu nome ao seu blog:

“ A música está onipresente, disponível para todos. Como a água na torneira de casa. Por que não aproveitar?”

Genial. Acho que já escrevi isso…

Bom, com o Leoni devidamente informado, vou postar alguns textos dele para que todos entendam melhor esses conceitos todos que, se forem realmente colocados em prática, TODOS vão sair ganhando.

Leoni, parabéns pelo seu trabalho. Por TODO ele. Estamos (eu e o MPBits) contigo.

Marcelo de Alvarenga – Pianista Brasileiro

Saturday, November 28th, 2009
Marcelo de Alvarenga

Marcelo de Alvarenga

Continuando o meu “dever cívico”, apresento a vocês um dos grandes pianistas eruditos (ok, ele também sabe ser bem popular… ) do Brasil na atualidade: Marcelo de Alvarenga.

Marcelo é carioca (eu presumo, pois na sua biografia oficial não constam estes dados) e, como a maioria dos músicos de destaque no cenário erudito, começou muito cedo a estudar piano. Dentre seus professores, cito alguns: Maria Alice Frantz e Altair Celina Gomes, prosseguindo com Esther Naiberger, Maria Teresa Soares, Nise Obino e Luiz Medalha.

Venceu sete dos nove concursos nacionais de piano dos quais participou, destacando-se os concursos “Nacional Lorenzo Fernandez”, “Nacional de piano Villa-Lobos/Lorenzo Fernandez” e “Movimento Artístico Lúcia Branco (MALB)”. Recebeu também o prêmio de melhor intérprete da obra de Villa-Lobos, oferecido por sua esposa Arminda Villa-lobos e pelo Museu Villa-Lobos.

Ou seja, o homem é BOM. :)

Marcelo, como pessoa, é uma das pessoas mais generosas que conheço. Com toda a bagagem “profissional” que tem, ele tem total humildade de tocar qualquer coisa que você bote na frente dele, sem dar desculpas ou empinar o nariz. Se o assunto é música, você vê na hora a paixão de Marcelo transparecer. Fala com gosto de praticamente todos os gêneros musicais pois, praticamente, já tocou de tudo. Nunca teve medo de experimentar coisas novas, adora desafios. Prova disso é seu extenso repertório que vai desde os ultra-tradicionais compositores eruditos (Scarlatti, Bach, Haydn, Mozart, etc…) até os mais populares. Exemplo desta diversidade: quando conheci o Marcelo, ele tocava em um MUSICAL, mais precisamente estava em cartaz tocando “Porgy & Bess”, de Gershwin.

Agora o que mais interessa a este blog: sua ligação com a música brasileira. O repertório brasileiro de Marcelo é fantástico. Alguns dos compositores que constam no seu repertório: Villa Lobos, Edino Krieger, C. Guarnieri, Santoro, Ernesto Nazareth, entre outros. Sua diversidade impressiona: vai desde os compositores ao repertório, e também na execução (fez recitais solo, duos de piano, piano e violão, etc…).

Entre um recital ou espetáculo teatral, Marcelo ainda dá aulas de piano!

Fica aqui registro de um dos grandes músicos da atualidade. Não só pelo seu indiscutível talento ao piano, mas também pela pessoa que é.

Maiores informações, é só ir no site dele: www.marcelodealvarenga.com.br

Brasileirinho, o filme

Friday, November 27th, 2009
DVD Brasileirinho

DVD Brasileirinho

Chegou, esta semana, a minha cópia do documentário Brasileirinho, uma referência sobre o nosso CHORO, estilo musical genuinamente brasileiro (dica do meu amigo Salgado).

Eu realmente não fazia ideia da existência deste documentário. Quando fui no site, fiquei surpreso com a quantidade de excelentes músicos que conseguiram reunir e em tão pouco tempo (nos extras do DVD, o diretor disse que filmaram tudo em 3 semanas!!). Comprei minha cópia na hora.

Assistindo ao DVD, não tem como não ficar arrepiado: os números musicais foram escolhidos a dedo. Quem tocou com quem, a locação, etc… Não consegui desgrudar até o final de tudo (porque tem mais 6 músicas nos extras que não entraram no documentário, além de entrevistas).

O diretor Mika Kaurismaki foi extremamente competente: as imagens do Rio são lindas (Lapa, Estudantina,botecos, rodas de choro) e a qualidade musical… bom, isso não dá para descrever bem com palavras. Recomendo!

Segue resenha do DVD (Rob Digital):

“Mais celebrado do que nunca nas casas de show, salas de concerto e fundos de quintal, o Choro estréia agora também nas telas de cinema. O gênero, surgido no Rio de Janeiro no final do século 19, é o homenageado do documentário musical Brasileirinho – Grandes encontros do Choro contemporâneo (cor, 90 min.), dirigido pelo finlandês Mika Kaurismäki, que conseguiu reunir nas gravações nomes consagrados como Trio Madeira Brasil (Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim), Yamandú Costa, Paulo Moura, Zé da Velha e Silvério Pontes, Marcos Suzano, Jorginho do Pandeiro, Maurício Carrilho, Guinga, Teresa Cristina e Grupo Semente, entre outros.

O DVD, que chega às lojas pelo selo ROB DIGITAL, traz músicas consagradas como Machucando, de Adalberto de Souza; Santa Morena, de Jacob do Bandolim; Brejeiro, de Ernesto Nazareth; e Papo de Anjo, de Radamés Gnattali. Destaque também para O bom filho à casa torna, de Bonfiglio de Oliveira, e Cochichando, de Pixinguinha, João de Barro e A. Ribeiro.”


Para Uma Menina Com Uma Flor – Vinicius de Moraes

Monday, November 2nd, 2009
Capa atual

Capa atual

Que Vinicius foi um excelente poeta e compositor, isso eu já sabia. O lado “cronista” eu não tinha ainda tanto contato até comprar a reedição do “Para Uma Menina Com Uma Flor” – coleção de crônicas reunidas pelo próprio autor, de 1941 a 1966, dentre as várias que publicou em jornais e revistas.

É interessante notar que não vemos Vinicius falar só de “amor, sorriso e uma flor”. Neste livro, vê-se muito o lado crítico, crú e direto. Uma maneira de se entender, sob a sua visão, fatos da história do Brasil ocorridos nestes 25 anos de observação.

Capa original do livro

Capa original do livro

Além das crônicas, esta edição traz também uma variedade grande de fotos, desenhos, gravuras e bilhetes (entre Vinicius e Rubem Braga, acertando detalhes da primeira publicação do livro), além de – no final – uma entrevista com o próprio Vinicius, feita por Odacir Soares. imperdível.

Seria injusto indicar uma crônica aqui. Vale o livro todo. (ok.. talvez em coloque alguma coisa depois… )

Como curiosidade (também está descrito no livro), a “menina” foi uma dedicatória a sua esposa (a atual, na época – uma de suas NOVE esposas…) Nelita.

Retrato em Branco e Preto

Sunday, November 1st, 2009

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

A canção de Tom Jobim, feita em 1965, chamava-se “Zíngaro” – porque Tom, vivendo nos Estados Unidos, sentia-se como um cigano -, e já havia sido gravada no LP A Certain Mr. Jobim, com a participação do arranjador alemão Claus Ogerman. Tom passou a Chico diversas músicas desse álbum, e a primeira letra que saiu foi “Retrato em branco e preto”.

Nos primórdios da parceria, estimulada por Vinicius de Moraes, Tom pouco palpitava, o que viria a acontecer com muita freqüência quando o tempo e a intimidade permitiram. Chico atribui a benevolência e a tolerância iniciais ao paternalismo do maestro, que queria dar uma forcinha ao jovem letrista. Mesmo assim houve discussões.

Quando o Quarteto em Cy estava para gravar a canção, Chico decidiu mudar a expressão “peito tão marcado” por “peito carregado”, e explicou ao parceiro que “tão” havia sido uma muleta para completar as sílabas da canção. A alteração foi aceita, mas logo depois o maestro telefonava pedindo que mantivesse a versão original, porque “peito carregado” tinha também a conotação de tosse. Chico cedeu.

Em outra ocasião Tom teria dito a Chico que ninguém fala: “retrato em branco e preto”, e que a expressão correta seria “preto e branco”. Ao que Chico teria respondido: “Então tá. Fica assim: ‘Vou colecionar mais um tamanco/outro retrato em preto e branco’”. Diante de uma tamancada tão convincente, Tom entregou os pontos.

Extraído do livro “Chico Buarque – Histórias de Canções

Chico Buarque – Histórias de Canções

Sunday, November 1st, 2009

livro-chico

Comprei neste sábado o livro “Chico Buarque – Histórias de Canções”, de Wagner Homem. Confesso ter perdido a noção do tempo na livraria pelo magnetismo que o livro gerou, não conseguia parar de ler.

A idéia do livro é ótima: uma coletânea de letras do Chico Buarque, só que com comentários (tanto do próprio Chico como do Wagner Homem) sobre o que o levou a escrever/compor cada uma delas. Tudo isso reunido com fotos, paralelos com a história da música brasileira (fatos de época) e muita coisa interessante.

A todos que gostam de história da música brasileira e/ou Chico Buarque, esse livro é altamente recomendado. É daqueles (muitos) que é legal ter na cabeceira para consultar de vez em quando ou quando decidimos ouvir, pela milésima vez, alguma música do Chico. Em mesmo já li, desde ontem, umas 3 vezes.

Na sequência postarei alguns trechos.

Maria Gadú

Friday, October 23rd, 2009

Maria Gadú

Não sei se todos já ouviram falar de Maria Gadú. Ela é considerada a nova sensação do cenário musical brasileiro. Uma paulistana radicada no Rio, 22 anos com uma voz deliciosa. Explico: o timbre dela é daqueles meio roco, meio preguiçoso, gostoso de ouvir. Super afinada, Maria Gadú ainda tem um excelente gosto pra repertório e arranjos.

No seu CD de estréia, destaco 2 faixas: A História de Lilly Braun (Chico Buarque) e Baba (Kelly Key). Tudo é bom (tem várias levadas gostosas, vale ouvir o CD todo) mas estas duas tem um sabor especial.

A versão dela para a música do Chico ficou totalmente jazz, com muito swing, totalmente solta. Com certeza Chico deu um sorriso…

A releitura de Baba (aquela Baba Baby) me impressionou mais pelo fato de, na sua versão original, ter ficado com uma cara específica – aquela cara de que vai ser aquilo e nunca ninguém vai querer mexer com ela.. Engano total: a versão da Maria Gadú, acústica, deixou espaço para se ouvir sua voz envolvente e a música ainda ganhou nova vida no arranjo intimista e exato. Sem mais nem menos. Foi o que tinha que ser. Mais um ponto pra ela.

No CD tem ainda uma versão de “Ne Me Quitte Pas” (Jacques Brel) e a famosa (tá na rádio direto) “Shimbalaiê”, que se significa algo, desconheço…

Mú Carvalho – Multi-mídias

Thursday, August 6th, 2009

Estou a algum tempo querendo escrever sobre o pianista, arranjador, compositor, “chef” e “enólogo”: Mú Carvalho. Mais do que multi-instrumentista ele é, antes de mais nada, multi-talentoso e uma simpatia.

Tive o prazer de conhecer o Mú e sua adorável mulher, Ana, em um final de semana que estive no Rio de Janeiro. Eu, como músico e fã, já conhecia a história do Mú desde os meus LPs da Cor do Som. Marcou minha adolescência, rodas de violão, luaus… E estava eu ali, sentado do lado do Mú, falando sobre música, história da música e o pior – tendo a AUDÁCIA de TOCAR com ele!!

Descobrimos que até estávamos lendo o mesmo livro “O Resto É Ruído – Escutando o Século XX” – que pretendo comentar aqui ou, quem sabe, conseguir que o Mú o comente.

Neste final de semana de muita música, boa comida e bebida, podemos conversar sobre muitos assuntos extremamente interessantes como o futuro da indústria fonográfica, os meios digitais e as saídas para os artistas venderem mais e fugirem da famosa pirataria. Mais assunto para posts futuros…

Fui presenteado com 2 CDs do trabalho instrumental dele. “O Pianista do Cinema Mudo” e “Óleo Sobre Tela“. Confesso que nunca tinha parado para ouvir o trabalho solo (e instrumental) do Mú antes. Fiquei muito feliz em redescobrir um outro lado dele.

“O Pianista de Cinema Mudo”, como ele mesmo contou, foi uma homenagem a sua avó que foi pianista e tocava nos cinemas mudos da época, como uma trilha sonora, ao vivo, daquelas cenas que passavam na tela. A primeira coisa que me chamou atenção no CD é a versatilidade do Mú em compor músicas em diversos estilos e, quando regrava algo já conhecido (como Tico Tico no Fubá), consegue dar uma cara nova, uma assinatura sua, que integra essa peça de maneira harmoniosa, com o resto do CD. Senti como se estivesse ouvindo um CD de trilha sonora de filme mesmo. A música vai te levando por lembranças e emoções bem diversas. Te aguça sentidos. Como um bom vinho. Eu ouvi, ouvi, ouvi (estava dirigindo na estrada e ficou tocando DIRETO o CD…). Não cansa.

“Óleo Sobre Tela” já me passou uma proposta mais experimentalista. Um blend de instrumentos, timbres e sons que se combinavam em – novamente – estilos diversos. Mú teve a felicidade de reunir músicos da melhor qualidade, como: Armandinho (seu companheiro do Da Cor do Som), Arthur Maia, Pepeu Gomes, Vittor Santos, entre muitos outros.

Esse é Mú Carvalho, um harmonizador de notas musicais.

Mais sobre o artista: http://www.cafebrasil.art.br/mu.htm

Maria Rita – Num Corpo Só – Youtube

Thursday, May 7th, 2009

Sabe quando você vai ver um vídeo no youtube de uma música que você gosta, com uma intérprete que você gosta e pensa que vai ser legal? Pois é….

Tenho o privilégio de “acompanhar” a Maria Rita no twitter. Até aí, todo mundo pode. Hoje ela mandou uma mensagem sobre um vídeo dela que está bombando no youtube (primeira página, pelo menos até onde eu vi….), cantando “Num Corpo Só”, de Arlindo Cruz e Picolé, que é excelente (levada, letra, etc….).

Fui ver…

Realmente, para mim, foi uma experiência absurda. Explico (pelo menos vou tentar..): é inegável notar desde o primeiro instante o REAL prazer que ela tem em estar ali cantando este samba (ok, nem todo dia estamos 100% a fim de fazer algo, muitas vezes são compromissos assumidos e tal). Como isso é claro! Como ela passa prazer em estar ali cantando! É muito bom de ver (vi e revi várias vezes!)

Fica claro também a preocupação, pelas expressões faciais, que ela tem em colocar bem a voz, em se fazer soar perfeita. A preocupação com a qualidade. Absurdo. A cada compasso, a cada nota, você vê uma Maria Rita entregue, se divertindo, doida pra levantar da cadeira e sambar! Sem descuidar, por nenhum momento, da qualidade vocal, da preocupação com a interpretação.

A cada novo trabalho me surpreendo mais com ela. Já gostei do primeiro CD. Sempre disse que ela tinha uma coisa diferente, um prazer, um carinho em cantar que vejo em poucos. Fica visível, em qualquer interpretação dela, a entrega ao momento, à música. Dá vontade de ficar quieto, olhando, curtindo, rindo. Ela faz a gente mais feliz.

Não poderia deixar de comentar também do Quinteto em Branco e Preto: o que seria de uma cantora sem um bom acompanhamento? Competentes, suficientes, exatos. O que tinha de ser.

Parabéns Maria Rita. Você é a personificação da música, ou pelo menos do que eu materializaria caso me pedissem para definir com uma imagem O QUE É MÚSICA. Você me faz uma pessoa mais feliz. Obrigado.