Pra Dizer Adeus

Confirmando o que dizem que a maioria das músicas “tristes”, de fossa são lindas, resolvi trazer uma das minhas preferidas (não que eu esteja na fossa, longe disso!).

O que me motivou a escrever este post foi eu ter ouvido (a tempos não ouvia este CD) esta música na voz da diva Sarah Vaughan. Ok, ela cantou em inglês. Mas ela DESTRÓI… Seus graves, seu vibrato, sua afinação, sua emoção… Bom, daria pra falar linhas e linhas sobre ela mas, como o foco aqui é música brasileira, vamos ficar na história da música.

Pra Dizer Adeus é uma composição de Edu Lobo e Torquato Neto. Segue a letra (vou colocar em português e inglês, por conta do áudio da Sarah Vaughn). Só ouvindo para entender a beleza desta música.

No final, link para ouvir as duas versões (Uma do Edu com o Tom e a outra, da Sarah Vaughan):

Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho

Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho

Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer

Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus

Goodbye
It’s all over now
You been gone before
But this time it´s over

There´s no much to say
You’re not coming back
You just close the door
Leaving me alone now

Oh was it just a dream
Never really true
Why am I so lonely
Oh so lonely
Please come back to me

Come if it’s one more time
Come even just to say
Just to say adeus

Oh was it just a dream
Never really true
Why am I so lonely
Oh so lonely
Please come back to me

Come if it’s one more time
Come even just to say
Just to say goodbye

Pra Dizer Adeus (dueto com Tom Jobim)

To Say Goodbye

Retrato em Branco e Preto

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

A canção de Tom Jobim, feita em 1965, chamava-se “Zíngaro” – porque Tom, vivendo nos Estados Unidos, sentia-se como um cigano -, e já havia sido gravada no LP A Certain Mr. Jobim, com a participação do arranjador alemão Claus Ogerman. Tom passou a Chico diversas músicas desse álbum, e a primeira letra que saiu foi “Retrato em branco e preto”.

Nos primórdios da parceria, estimulada por Vinicius de Moraes, Tom pouco palpitava, o que viria a acontecer com muita freqüência quando o tempo e a intimidade permitiram. Chico atribui a benevolência e a tolerância iniciais ao paternalismo do maestro, que queria dar uma forcinha ao jovem letrista. Mesmo assim houve discussões.

Quando o Quarteto em Cy estava para gravar a canção, Chico decidiu mudar a expressão “peito tão marcado” por “peito carregado”, e explicou ao parceiro que “tão” havia sido uma muleta para completar as sílabas da canção. A alteração foi aceita, mas logo depois o maestro telefonava pedindo que mantivesse a versão original, porque “peito carregado” tinha também a conotação de tosse. Chico cedeu.

Em outra ocasião Tom teria dito a Chico que ninguém fala: “retrato em branco e preto”, e que a expressão correta seria “preto e branco”. Ao que Chico teria respondido: “Então tá. Fica assim: ‘Vou colecionar mais um tamanco/outro retrato em preto e branco'”. Diante de uma tamancada tão convincente, Tom entregou os pontos.

Extraído do livro “Chico Buarque – Histórias de Canções

Chico Buarque – Histórias de Canções

livro-chico

Comprei neste sábado o livro “Chico Buarque – Histórias de Canções”, de Wagner Homem. Confesso ter perdido a noção do tempo na livraria pelo magnetismo que o livro gerou, não conseguia parar de ler.

A idéia do livro é ótima: uma coletânea de letras do Chico Buarque, só que com comentários (tanto do próprio Chico como do Wagner Homem) sobre o que o levou a escrever/compor cada uma delas. Tudo isso reunido com fotos, paralelos com a história da música brasileira (fatos de época) e muita coisa interessante.

A todos que gostam de história da música brasileira e/ou Chico Buarque, esse livro é altamente recomendado. É daqueles (muitos) que é legal ter na cabeceira para consultar de vez em quando ou quando decidimos ouvir, pela milésima vez, alguma música do Chico. Em mesmo já li, desde ontem, umas 3 vezes.

Na sequência postarei alguns trechos.

Pros Que Estão Em Casa – Hojerizah

Esta música marcou uma geração. Junte a isso a voz fantástica do Toni Platão (na minha opinião, uma das melhores vozes do cenário musical brasileiro de todos os tempos) e você tem motivos para se arrepiar. Esta versão é mais atual, uma regravação para o CD com o mesmo nome da música: Pros Que estão Em Casa (o grande sucesso do Hojerizah):

Até bem cedo
Esperei pelo telefonema
Tapando com peneira
O sol que vai nascendo.

Não vou tomar café
Nem escovar os dentes
Vou de aguardente
Como o sol que queima a praça

Bom dia, boa tarde
Good night, quero dar um tapa
De topete e cara
Vi nova york internada

E meu amor nao deu em nada
Nem sobrancelhas eriçadas
E a essa altura do fato 
Nem fumaça tem cano de descarga.

Quem quiser ver o Toni Platão com sua antiga banda, Hojerizah, na década de 80, segue: