Maria Rita – Num Corpo Só – Youtube

Sabe quando você vai ver um vídeo no youtube de uma música que você gosta, com uma intérprete que você gosta e pensa que vai ser legal? Pois é….

Tenho o privilégio de “acompanhar” a Maria Rita no twitter. Até aí, todo mundo pode. Hoje ela mandou uma mensagem sobre um vídeo dela que está bombando no youtube (primeira página, pelo menos até onde eu vi….), cantando “Num Corpo Só”, de Arlindo Cruz e Picolé, que é excelente (levada, letra, etc….).

Fui ver…

Realmente, para mim, foi uma experiência absurda. Explico (pelo menos vou tentar..): é inegável notar desde o primeiro instante o REAL prazer que ela tem em estar ali cantando este samba (ok, nem todo dia estamos 100% a fim de fazer algo, muitas vezes são compromissos assumidos e tal). Como isso é claro! Como ela passa prazer em estar ali cantando! É muito bom de ver (vi e revi várias vezes!)

Fica claro também a preocupação, pelas expressões faciais, que ela tem em colocar bem a voz, em se fazer soar perfeita. A preocupação com a qualidade. Absurdo. A cada compasso, a cada nota, você vê uma Maria Rita entregue, se divertindo, doida pra levantar da cadeira e sambar! Sem descuidar, por nenhum momento, da qualidade vocal, da preocupação com a interpretação.

A cada novo trabalho me surpreendo mais com ela. Já gostei do primeiro CD. Sempre disse que ela tinha uma coisa diferente, um prazer, um carinho em cantar que vejo em poucos. Fica visível, em qualquer interpretação dela, a entrega ao momento, à música. Dá vontade de ficar quieto, olhando, curtindo, rindo. Ela faz a gente mais feliz.

Não poderia deixar de comentar também do Quinteto em Branco e Preto: o que seria de uma cantora sem um bom acompanhamento? Competentes, suficientes, exatos. O que tinha de ser.

Parabéns Maria Rita. Você é a personificação da música, ou pelo menos do que eu materializaria caso me pedissem para definir com uma imagem O QUE É MÚSICA. Você me faz uma pessoa mais feliz. Obrigado.

Feist

Capa do CD

CD Let it Die

Estive no Rio neste feriado onde me encontrei com a minha amada e multi-talentosa prima Renata Gebara. Como sempre fazemos, nos encontramos para falar – dentre tantos outros assuntos – de música. Sempre trocamos umas figurinhas pois ela, assim com eu, resolveu atacar de DJ.

Trocando informações e sons, ela me mostrou 2 CDs da cantora Feist (Let it Die & The Reminder). Estes álbuns contém uma combinação de jazz, bossa nova e indie rock, na medida certa.

Fiquei muito bem impressionado pela qualidade despretensiosa das músicas. Todas em uma levada gostosa e, na sua maioria, intimistas. Uma delícia para se ouvir a qualquer momento. Recomendo!

De todas as músicas (dos 2 CDs), a que eu mais gostei foi INSIDE AND OUT, do CD Let It Die.

Maestros, Obras-Primas & Loucura

Comprei neste final de semana o livro “Maestros, Obras-Primas & Loucura: A Vida Secreta e a Morte Vergonhosa da Indústria da Música Clássica” de Norman Lebrecht (Editora Record).

Como estou bem no começo (mesmo já achando super interessante a abordagem do autor), ainda não tenho uma crítica completa do conteúdo. Por isso, transcrevo a resenha que li no Blog do João Luiz Sampaio:

O fim de tudo? Não exatamente

Maio 29, 2008

Na semana que vem chega às livrarias a tradução para o português do livro mais recente de Norman Lebrecht, “Maestros, Obras-Primas & Loucura: A Vida Secreta e a Morte Vergonhosa da Indústria da Música Clássica” (Record). O título, traduzido da edição americana, é equivocado – não é a indústria da música clássica que morreu mas, sim, segundo o autor, a indústria de gravações de clássicos.

É certo que Lebrecht quer provar que não dá para pensar no mercado musical do século 20 sem concluir que a indústria dos discos foi fundamental em sua construção, alterando e moldando não apenas o repertório mas o tipo de interpretação que dele se espera. Seria possível, então, concluir que, com o fim dos CDs, acabaria o mercado também. Certo?

A obra de Lebrecht está repleta de silogismos como esse, que levam a previsões catastróficas mas que, no final das contas, são mais exacerbações, com o objetivo de explorar inúmeras possibilidades de pensamento, que verdades ou previsões absolutas. Se a indústria acabou, a música gravada não parece estar chegando ao fim mas, sim, entrando em outro contexto, outra situação tecnológica. Enfim, logo vou voltar à obra no jornal e falo mais do assunto.

Digo só que, colocada essa restrição, o livro é interessante, nos apresenta diversos personagens pouco conhecidos e obscuros do mundo das gravações, além de fornecer números curiosos e impressionantes. Por exemplo: sabe qual o disco mais vendido da história dos clássicos? Callas? Karajan? Três Tenores? Não, é o “Anel” de Georg Solti. Em breve, conversamos mais sobre o tema.”

Depois que eu acabar de ler, deixo minha opinião!

Sergio Mendes – Encanto

O novo trabalho de Sergio Mendes parece a continuação do bem sucedido Timeless, ambos produzidos por Will.I.Am e repletos de convidados. Dessa vez o produtor criou boa parte das batidas usando, como matéria prima, baterias de escola de samba; o que causa uma certa estranheza no repertório bossa-novístico de Sergio, e até um cheiro de “samba pra gringo ouvir”. Mas existem várias bolas dentro. Destaque para “Somewhere In The Hills”, cantada por Natalie Cole; e “Dreamer”, com a voz de Lani Hall e o trompete de Herb Alpert. “The look of love”, com Fergie, é candidata a hit jovem do disco. Vanessa da Mata, Carlinhos Brown e Juanes também estão entre os convidados, este último numa faixa que mira o mercado latino. É um disco para agradar vários públicos e é música brasileira de primeira.

Fonte: Site Radio Eldorado FM (Regis Salvarani)

O Samba Informal de Mauro Duarte

Capa CD Mauro Duarte

Mauro Duarte (02/06/1930 – 26/08/1989), mais conhecido como “Bolacha”, foi um dos maiores melodistas do nosso samba. Parceiro de Paulo César Pinheiro (entre outros), ele foi o responsável por vários sucessos como “Lama”, “Canto das Três Raças” e outros tantos de Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Alcione, etc…

Deixou cerca de 70 músicas gravadas e mais de 30 músicas inéditas em fitas ou na memória dos seus companheiros, além de tantos outros ainda não terminados.

Neste CD, O SAMBA INFORMAL DE MAURO DUARTE, Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato resgatam a obra de Mauro Duarte, dando ênfase para as menos conhecidas do seu repertório, em arranjos muito bem estruturados e que nos transportam para as mesas de bar, tomando uma cerveja, deixando o tempo passar e apreciando um bom samba.

Fatos curiosos deste CD: algumas faixas como “Falou Demais”, “Malandro Não Tem Medo”, etc… eram letras inacabadas que, foram terminadas por Paulo César Pinheiro ou gravadas de maneira incompleta mesmo. Muitas vezes, Mauro Duarte chegava em casa com uma melodia e um “mote” para ser terminado depois, algumas vezes em parceria. Alguns sambas eram esquecidos ou ficavam incompletos mesmo, como na faixa “Não Sou de Implorar”.

A letra de “Samba de Botequim” (de Paulo César Pinheiro) gerou certa polêmica pela concordância verbal nos primeiros versos, mas depois foi availzada por parecer de estudiosos da Língua Portuguesa.

Para quem gosta de bom samba, daqueles que fazem você fechar os olhos e se imaginar em um botequim, ou mesmo para se conhecer mais sobre bons compositores de samba, vale a pena ouvir este CD. MUITO BOM!

RENATA GEBARA E A RODA DE JAZZ À BRASILEIRA

Roda de Jazz

Quem nunca ouviu falar numa roda de samba? Carioca que é carioca certamente já. Em qualquer lugar, a qualquer momento, três ou mais amigos se reúnem na mesa de bar pra batucar e cantar e pronto! Está formada mais uma roda de samba.

Quer coisa mais jazzy que o charme do Rio de Janeiro? Andar pelo calçadão de Copacabana, ver o pôr do sol no Arpoador, caminhar por entre as palmeiras imperiais do Jardim Botânico ou pedalar ao redor da Lagoa: em cada esquina uma inspiração pra um Jazz de primeira.

Não é à toa que, da mistura desse dois ritmos, o carioca sempre criativo já tinha criado a Bossa Nova, saída de apartamentos da Avenida Atlântica nos anos 50 e até hoje sinônimo de Brasil no mundo.

Foi unindo essas características do carioca as suas maiores influências musicais – o Jazz e o Samba –, e se questionando por que ninguém fez isso antes, que a cantora Renata Gebara criou a Roda de Jazz à Brasileira: um projeto despojado, despretensioso e, principalmente por causa disso, com a cara do Rio.

Com uma formação dinâmica – Renata Gebara na voz, João Gaspar nas cordas e Rafael Maia na percuteria (mistura de percussão com bateria) – a Roda de Jazz está sempre aberta para receber músicos convidados para canjas despojada. Com numa autêntica roda de Samba!

A Roda traz standards de Jazz, clássicos da Bossa, sambas tradicionais e permite a liberdade entre ritmos e harmonias dos três estilos: Renata canta sambas em ritmo de Jazz, Jazz com som de Bossa, bossas para sambar e tudo mais que a improvisação permite.

Para acompanhá-la, Renata escolheu nomes como Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, com “Samba é Tudo”; Assis Valente, com “Brasil Pandeiro”; Donga, com “Chora Cavaquinho”; Dorival Caymmi, com “Saudades da Bahia”, Ronaldo Bôscoli e Menescal, com “Rio; e Paulinho da Viola e Elton Medeiros, com “Pra fugir da Saudade”. Sem esquecer, é claro, de Cole Porter, com “At Long Last Love”; Roger and Heart, com My funny Valentine; Duke Ellington, com “Prelude to a Kiss”; e Thelonius Monk, com “Dear Ruby”.

Com um repertório composto de standards de Jazz, clássicos da Bossa, sambas tradicionais e algumas músicas de seu trabalho solo, Renata vai mostrar como os três estilos são complementares e como toda essa mistura resultou em música boa.

Quando for rolar mais Roda, eu aviso!!

Indignação sobre crítica musical


Li essa semana, uma crítica sobre um CD (LP Remasterizado) do encontro entre Baden Powell e Stephane Grappelli, La Grande Reunion. O texto foi escrito por Ken Dryden, do All Music Guide.
Na resenha ele escreve (pequeno resumo):

“Powell is a talented guitarist but not exactly at the level of the artists who Grappelli recorded with during his long career. But the music is at least enjoyable even if it isn’t overly memorable. Overall, this now out of print CD will likely be sought only by those who must own Grappelli’s complete discographical output; anyone else can safely bypass this uneven release.”

Vamos lá. A minha dúvida é se o cara CONHECE música brasileira ou apenas não gostou do que ouviu. Acho que gosto realmente é pessoal. Agora quando você vai escrever uma resenha, “profissionalmente”, você tem que se valer de fundamentos para justificar sua opinião. Conhecer a cultura do artista e a sua história também.
Baden Powell foi um dos maiores violonistas do Brasil e do mundo. Sua técnica e bom gosto foram apreciadas internacionalmente. Fez sólida carreira na Europa (tinha residência fixa na França) onde é, até hoje, reverenciado.
O encontro com Stephane Grappelli foi único e mágico. A harmonia entre os dois músicos foi imediata, como se já tocassem juntos a anos. E TODO ESSE DISCO FOI GRAVADO (incluindo ensaio) NO MESMO DIA. DE PRIMEIRA.
Ou seja, o critico americano foi MUITO infeliz na sua resenha.. Prefiro pensar que ele não conhece nossa música e, além disso, emitiu sua opinião pessoal sobre o trabalho. No meu ver, nada profissional.

Os 100 Melhores CDs da MPB

Comprei hoje esse livro (ver título acima) e fiquei maravilhado. Muito boa seleção. Já estou pesquisando os cds para ver se acho nas lojas aqui no Rio… :)
Para não me demorar em texto longo (o que seria inevitável) sobre este livro, segue o link de uma excelente resenha já feita sobre o mesmo.
Para quem é entusiasta da MPB como eu, ACONSELHO!

P.s.: esse foi o número 1 de 6 livros que comprei hoje.. Depois falo dos outros.