Ed Motta, body & soul

 

Estava há pouco revendo um video indicado pelo Ed Motta no twitter (@EdMotta), onde ele canta junto com a Deise (Fat Family). Eu já tinha visto entrevistas dele elogiando a voz da Deise e já havia visto eles juntos cantando esta mesma música (Ainda Lembro), mas o que mais me chamou a atenção (e sempre chama, se tratando do Ed) foram as expressões de prazer dele em estar ao lado dela, em poder estar ali perto e ter aquela voz abençoada ali com ele. Em momentos do video vemos ele até parar de cantar para rir de felicidade!

Ed Motta é conhecido por ser extremamente rígido e com percepção aguçada quando o assunto é música (depois descobri que ele se dedica com igual intensidade a tudo o que lhe dá prazer: vinhos, cerveja, culinária, LPs…). Vê-lo completamente solto e curtindo muito estar ali, é realmente um prazer à parte. Confesso que o que me leva a rever o video várias vezes, na maioria delas é pra curtir o prazer do Ed em estar com a Deise, realmente um privilégio para todos (ele, ela e EU).

Quando ele está no palco, você consegue ver a música passando através dele, isso é genial! Ele, como todo bom músico, se liga em detalhes que – para muitos – podem passar desapercebidos: timbres, tons, nuances sutis, modulações atípicas…

Para quem curte o trabalho do Ed há algum tempo (eu acompanho desde o primeiro LP) sabe da sua diversidade e entrega à música.

No cd Dwitza, por exemplo, você encontra um Ed Motta experimentalista, misturando e combinando sons de diversos modelos de teclados, sintetizadores e pianos com sua voz – uma alquimia sonora – que eu só fui compreender totalmente quando vi o “making of” do DVD do show de mesmo nome, que mostra o processo de pesquisa e experimentação dos timbres de uma enorme variedade de teclados e afins. Um absurdo de bom.

Falando no DVD do Dwitza, ali tem outro momento semelhante ao do video que comentei no começo: é imperdível ver o Ed curtindo a canja da Tania Maria tocando Funky Tamborim. Bom, até eu ficaria babando no teclado…

Para fechar, queria mencionar também a diversidade de repertório do Ed. Além dele próprio ter feito gravações nos mais variados gêneros, destaco alguns duos que ele fez que eu particularmente gosto muito: Ed & Miltinho cantando “Meu Nome É Ninguém”, Ed e Alcione cantando “Mesa de Bar”, Ed e Roupa Nova cantando “Bem Simples”, Ed e Maria Rita em “Turma da Pilantragem” (inclusive, do último trabalho do Ed) e, um dos primeiros duos, Ed e Marisa Monte cantando “These Are The Songs” que recria a clássica gravação de Tim Maia e Elis Regina (compacto simples pela Fermata em 1969).

Para conhecer mais do trabalho do Ed Motta, é só visitar os sites dele (http://edmotta.uol.com.br/ http://ed-motta.blogspot.com/) ou seguir no twitter (@EdMotta, caso não tenha visto o link já na primeira linha…).

Um último detalhe: se for seguir ele no twitter, observe a AULA de música que ele dá diariamente, trazendo um mundo de links sobre os mais diversos estilos musicais. A sua contribuição para a educação musical não tem limites. Aplaudo de pé. Obrigado xará.

Maria Rita – Num Corpo Só – Youtube

Sabe quando você vai ver um vídeo no youtube de uma música que você gosta, com uma intérprete que você gosta e pensa que vai ser legal? Pois é….

Tenho o privilégio de “acompanhar” a Maria Rita no twitter. Até aí, todo mundo pode. Hoje ela mandou uma mensagem sobre um vídeo dela que está bombando no youtube (primeira página, pelo menos até onde eu vi….), cantando “Num Corpo Só”, de Arlindo Cruz e Picolé, que é excelente (levada, letra, etc….).

Fui ver…

Realmente, para mim, foi uma experiência absurda. Explico (pelo menos vou tentar..): é inegável notar desde o primeiro instante o REAL prazer que ela tem em estar ali cantando este samba (ok, nem todo dia estamos 100% a fim de fazer algo, muitas vezes são compromissos assumidos e tal). Como isso é claro! Como ela passa prazer em estar ali cantando! É muito bom de ver (vi e revi várias vezes!)

Fica claro também a preocupação, pelas expressões faciais, que ela tem em colocar bem a voz, em se fazer soar perfeita. A preocupação com a qualidade. Absurdo. A cada compasso, a cada nota, você vê uma Maria Rita entregue, se divertindo, doida pra levantar da cadeira e sambar! Sem descuidar, por nenhum momento, da qualidade vocal, da preocupação com a interpretação.

A cada novo trabalho me surpreendo mais com ela. Já gostei do primeiro CD. Sempre disse que ela tinha uma coisa diferente, um prazer, um carinho em cantar que vejo em poucos. Fica visível, em qualquer interpretação dela, a entrega ao momento, à música. Dá vontade de ficar quieto, olhando, curtindo, rindo. Ela faz a gente mais feliz.

Não poderia deixar de comentar também do Quinteto em Branco e Preto: o que seria de uma cantora sem um bom acompanhamento? Competentes, suficientes, exatos. O que tinha de ser.

Parabéns Maria Rita. Você é a personificação da música, ou pelo menos do que eu materializaria caso me pedissem para definir com uma imagem O QUE É MÚSICA. Você me faz uma pessoa mais feliz. Obrigado.