Tu Sais Je Vais T´Aimer

Henri Salvador

 

 

 

 

 

 

Pra quem ainda não matou a “charada”, essa é a versão (absurdamente linda, por sinal) de “Eu Sei Que Vou Te Amar” em francês. Nesse clip, especificamente, com a interpretação perfeita de Henri Salvador.

Há muito tempo que não vejo alguém cantar com tanta tranquilidade e paz. Na minha opinião, um “João Gilberto” que nasceu na Guiana Francesa, mas que deveria ter nascido no Rio ou em Itapuã…

Bravo!!

Henri Salvador – Tu Sais Je Vais T’Aimer

Bar x Academia

Como a nossa música é, em muitas das suas deliciosas histórias, ligada na vida noturna dos bares, achei merecida esta “homenagem” ao berço de muitas de nossas melhores músicas (só para ilustrar, Tom e Vinicius tinham carteirinha de “sócio-atleta” de vários bares do Rio).

Este texto eu recebi por email, sem referência de autoria. Se alguém souber, por favor me avise que eu acerto aqui.

Por que será mais fácil frequentar um bar do que uma academia?

01 – Vantagem Numérica

Existem mais bares do que academias. Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho.

1×0 pro bar…

02 – Ambiente

No bar todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia a dia amolece no primeiro gole de cerveja

Na academia todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara feia..

2×0  pro bar

03 – Amizades simples e sinceras

No bar ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda. Os companheiros do bar só reparam se seu copo está cheio ou vazio.

3 x 0 pro bar.

04 – Compaixão

Você já ganhou alguma “saideira” da academia? Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça?

No bar, com certeza você já ganhou uma cerveja “por conta”

4×0 pro bar..

05 – Liberdade

Você pode falar palavrão na academia?

5×0 pro bar

06 – Libertinagem e Democracia

No bar você pode dividir um banco com uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo. O problema é seu…

Na academia, dividir um aparelho dá até briga

6×0 pro bar

07 – Saúde

Você já viu um frequentador de bar reclamando de dores musculares, joelho bichado, tendinite?

7×0 pro bar

08 – Saudosismo

Alguém já tocou sua música romântica preferida na academia? É só bate-estaca, não é?

8×0 pro bar

09 – Emoção

Onde você comemora a vitória do seu time? No bar ou na academia?

9×0 pro bar

10 – Memória

Você já aprontou algo na academia, digno de contar para os seus netos?

10×0 pro BAR!!!

Portanto, se você tem amigos na academia repasse este informativo para salvá-los do mau caminho…

PS: Você já fez amizade com alguém tomando Gatorade? (saideira…)

Para Uma Menina Com Uma Flor – Vinicius de Moraes

Capa atual

Capa atual

Que Vinicius foi um excelente poeta e compositor, isso eu já sabia. O lado “cronista” eu não tinha ainda tanto contato até comprar a reedição do “Para Uma Menina Com Uma Flor” – coleção de crônicas reunidas pelo próprio autor, de 1941 a 1966, dentre as várias que publicou em jornais e revistas.

É interessante notar que não vemos Vinicius falar só de “amor, sorriso e uma flor”. Neste livro, vê-se muito o lado crítico, crú e direto. Uma maneira de se entender, sob a sua visão, fatos da história do Brasil ocorridos nestes 25 anos de observação.

Capa original do livro

Capa original do livro

Além das crônicas, esta edição traz também uma variedade grande de fotos, desenhos, gravuras e bilhetes (entre Vinicius e Rubem Braga, acertando detalhes da primeira publicação do livro), além de – no final – uma entrevista com o próprio Vinicius, feita por Odacir Soares. imperdível.

Seria injusto indicar uma crônica aqui. Vale o livro todo. (ok.. talvez em coloque alguma coisa depois… )

Como curiosidade (também está descrito no livro), a “menina” foi uma dedicatória a sua esposa (a atual, na época – uma de suas NOVE esposas…) Nelita.

Soneto de fidelidade

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

VINICIUS DE MORAES

Estoril – Portugal, 10.1939

Tom conhece Vinicius…

“Conheci o Vinicius mais ou menos em 53, mais de obas e olás. Em novembro de 1956, começamos a parceria. A verdadeira apresentação ao Vinicius foi feita pelo Lúcio Rangel. Foi aí que começamos o trabalho no “Orfeu da Conceição”. Minha conhecência com Vinicius de Moraes foi uma coisa ligeira. Os amigos do Vinicius era bem mais velhos do que eu, mais velhos que o Vinicius. Nós tínhamos uma diferença de 14 anos, mas o Vinicius tinha amigos mais velhos ainda que ele, como Di Cavalcanti, e tinha aquela turma da idade dele, como o Guimarães Rosa.
O Vinicius fez a letra do “Chega de saudade” do meu lado. Ele não gostava de trabalhar sozinho. Preferia trabalhar ao lado do piano. O Chico preferia que eu mandasse a música para ele. No caso do Vinicius, ele também tocava um violãozinho e fazia músicas muito boas. “Valsa de Eurídice”, “Medo de amar”, “Serenata do adeus”, tudo isso é música e letra de Vinicius. Eu simplesmente orquestrei como está lá nos discos. Botei uma coisinha ou outra, umas cordinhas também. A economia não deixava a gente trabalhar com mais de quatro violinos, às vezes nem isso.
A convivência com o Vinicius foi maravilhosa. Aquela amizade, a gente ria, a gente saía, comia umas coisinhas, comidinha de bêbado, como dizia ele. Uns camarõezinhos e aquele uísque todo. Antes de me conhecer, ele bebia chope no Alcazar. Depois, com a ida para o Itamaraty, foi levando a vida no uísque. Vinicius me levou para aquelas casa bonitas do Cosme Velho, aquelas mulheres bonitas, cheirosas. Ele conhecia a alta sociedade do Rio, esse pessoal tradicional.

Normalmente, a gente começava a compor de tarde, nós estávamos ainda na base do café, mas Vinicius de Moraes não gostava muito de café. Conforme a tarde começava a cair, a gente ia fazendo a música, tomava um cafezinho, os dois fumávamos aqueles cigarros todos, tragando aquela fumaça, no apartamento da Rua Nascimento e Silva,107. Às quatro e meia, começava a cerveja. Vinicius, ao contrário do que esse pessoal todo diz, tomou muito chope. Tenho fotografias dele tomando chope.”